domingo, 21 de setembro de 2008

Tomando um banho de chuva

Andei pensando ultimamente como é estranha a maneira como a nossa mente funciona quando nos faz sentir falta de alguma coisa ou querer ter algo que não temos.

Comecei a pensar nisso quando me lembrei que quando eu era criança e tinha uns 6 anos, a coisa que eu mais queria era ter provas na escola igual as do meu irmão, que na época tinha 12 anos.

Aí, quando cheguei aos doze pensava em como eu era feliz aos seis, quando não tinha provas e podia ficar o tempo inteiro brincando, sem me preocupar com mais nada.

Mais pra frente com uns 14/15 anos eu me imaginava na faculdade, com toda a liberdade, sem dar satisfações, trabalhando e ganhando meu próprio dinheiro, não sei por que, mas eu sempre quis trabalhar e estudar ao mesmo tempo, ser o tipo da garota que está sempre ocupada e cheia de coisas pra fazer, responsável, importante.

Bom, é nessa época que me encontro no momento. Trabalhando que nem uma louca, realmente sempre lotada de coisas pra fazer, dormindo 5 horas ou menos por noite. Estudando, fazendo projetos, pensando em conseguir estágios, mas não tão descolada como imaginava.

Agora, então, me pergunto, será que eu sempre vou querer estar em épocas pelas quais eu já passei ou que ainda estão por vir¿

É me fazendo essa pergunta, que entendo que preciso aprender a viver o momento presente!

E não ficar pensando no momento que está por vir.

Devo aproveitar minha vida e curtir cada ocasião sem me queixar.

Nunca estamos satisfeitos.

É como o tempo, se está muito calor, reclamamos.

Se está muito frio, também reclamamos.

Se chove, ficamos extremamente desapontados.

Às vezes é bom encarar as coisas como elas são, é ótimo de vez em quando tomarmos um banho de chuva.

Deixemos os guardas-chuva em casa e sejamos felizes...

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sejam Bem-Vindos

Reality shows estão na moda. Todos adoram ver ações e reações de um bando de desconhecidos trancafiados dentro de uma casa, onde não podem ter o mínimo de contato com o resto do mundo. A população simplesmente pára pra acompanhar os acontecimentos da vida alheia.
No Brasil algo parecido acorreu cerca de dois meses atrás. A protagonista desse show em particular é uma menina de 5 anos, que supostamente, foi jogada pelo pai, Alexandre Nardoni, da janela do seu apartamento, no 6º andar. Ninguém mais come, nem dorme antes de saber as novidades do caso. Isabella passou a fazer parte da vida de todos os brasileiros. Eis que surge a pergunta: Por que o fato se fez tão polêmico e despertou a revolta e a indignação em todos que o ouvem?
Isabella Nardoni era de uma família de classe média, vivia como uma princesa e sua mãe, Ana Carolina de Oliveira, a amava incondicionalmente. Essa descrição se encaixa na vida de muitas pessoas, e por isso, as fazem despertar e enxergar como a violência está impregnada nas ações dos seres humanos contemporâneos. Com esse caso, divulgado como está sendo, os brasileiros passam a refletir sobre as causas de tamanhas crueldades e talvez, comecem a tentar encontrar uma saída para um mundo melhor.
A violência contra crianças está presente na cultura brasileira, e pode ser justificada pelo tardio fim da escravatura. Nosso país foi um dos últimos a acabar de uma vez com ela e conseqüentemente demorou muito para se adaptar.
Depois desse caso, muitos outros saíram da obscuridade e passaram a se tornar claros para quem sempre achou que esse problema já havia sido exterminado.
O grande tabu, que os pais protegem os filhos acima de tudo, sacrificando-se, vem sendo contrariado por ações desse tipo. A violência é tamanha que nem os próprios filhos estão livres de pais covardes.
Comecemos a nos preocupar.
Abramos os olhos.
Um novo reality show começa a se tornar presente, e esse atinge não só as vidas alheias, mas como as nossas próprias vidas. Sejam bem vindos à vida real.


Nayara Ruiz