terça-feira, 10 de junho de 2008

Sejam Bem-Vindos

Reality shows estão na moda. Todos adoram ver ações e reações de um bando de desconhecidos trancafiados dentro de uma casa, onde não podem ter o mínimo de contato com o resto do mundo. A população simplesmente pára pra acompanhar os acontecimentos da vida alheia.
No Brasil algo parecido acorreu cerca de dois meses atrás. A protagonista desse show em particular é uma menina de 5 anos, que supostamente, foi jogada pelo pai, Alexandre Nardoni, da janela do seu apartamento, no 6º andar. Ninguém mais come, nem dorme antes de saber as novidades do caso. Isabella passou a fazer parte da vida de todos os brasileiros. Eis que surge a pergunta: Por que o fato se fez tão polêmico e despertou a revolta e a indignação em todos que o ouvem?
Isabella Nardoni era de uma família de classe média, vivia como uma princesa e sua mãe, Ana Carolina de Oliveira, a amava incondicionalmente. Essa descrição se encaixa na vida de muitas pessoas, e por isso, as fazem despertar e enxergar como a violência está impregnada nas ações dos seres humanos contemporâneos. Com esse caso, divulgado como está sendo, os brasileiros passam a refletir sobre as causas de tamanhas crueldades e talvez, comecem a tentar encontrar uma saída para um mundo melhor.
A violência contra crianças está presente na cultura brasileira, e pode ser justificada pelo tardio fim da escravatura. Nosso país foi um dos últimos a acabar de uma vez com ela e conseqüentemente demorou muito para se adaptar.
Depois desse caso, muitos outros saíram da obscuridade e passaram a se tornar claros para quem sempre achou que esse problema já havia sido exterminado.
O grande tabu, que os pais protegem os filhos acima de tudo, sacrificando-se, vem sendo contrariado por ações desse tipo. A violência é tamanha que nem os próprios filhos estão livres de pais covardes.
Comecemos a nos preocupar.
Abramos os olhos.
Um novo reality show começa a se tornar presente, e esse atinge não só as vidas alheias, mas como as nossas próprias vidas. Sejam bem vindos à vida real.


Nayara Ruiz